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Como Montar um VS no Reaper: do Zero ao Palco

Notebook sobre um suporte no palco com uma DAW aberta na tela e luzes de show âmbar ao fundo

Resumo rápido

Você montou a banda, ensaiou, e na hora do show falta gente: não veio o naipe de sopro, o tecladista furou, a percussão é só você. O VS resolve isso, e aqui eu mostro como montar um VS no Reaper do zero ao palco — o mesmo setup que eu uso tocando. VS é a sigla de Virtual Sound: um playback organizado por instrumento, que roda no notebook e completa o que a banda não tem ao vivo, com o clique só no seu ouvido. É a dúvida número um de quem toca em banda, e quase ninguém senta pra explicar o setup inteiro. Eu vou sentar, em duas aulas em vídeo mais uma apostila que eu escrevi.

O que é um VS e por que toda banda que toca ao vivo precisa de um

Cada instrumento que falta no palco — cavaco, banjo, naipe de metais, teclado, percussão — entra por uma pista dentro do Reaper. Você abre o programa, dispara a música e toca por cima, no seu tempo, guiado pelo clique.

A diferença de contar isso pela cadeira do baterista é esta: quem toca E solta o VS ao mesmo tempo é você. Não tem técnico no fundo do palco apertando play. A sua mão toca a bateria e a sua cabeça controla o show. Por isso o setup precisa ser à prova de falha e rápido de operar — no meio do repertório você não tem duas mãos livres pra procurar música.

No pagode, o VS cobre o cavaco, o banjo, a cuíca que ninguém trouxe. No forró, entra a sanfona de apoio e a segunda voz. Na igreja virou padrão: cordas, teclado e coral ao vivo com dois ou três músicos no palco. Se a sua banda toca ao vivo e falta instrumento, o VS te dá som de banda completa — e profissionaliza o grupo.

Por que montar o VS no Reaper (leve, estável e com 60 dias grátis)

Existe Ableton, Pro Tools, Logic. Todos rodam um VS. Pro palco eu escolho o Reaper por ser leve, estável e acessível. O instalador tem uns 15 MB e roda liso em notebook fraco — o computador que você já tem provavelmente aguenta. E ele não trava no meio da música, que é o que importa no palco.

"É simples e leve. Ele tem 60 dias grátis, mas todo mundo que usa diz que só fica aparecendo a mensagem e você usa tranquilamente, não vai pesar tanto na sua máquina."

Vale separar duas coisas que confundem. Os 60 dias grátis são o período de teste — é com isso que eu monto o VS nas aulas. Passado o prazo, o programa continua abrindo com uma tela de aviso, mas o certo é comprar a licença pessoal, uns US$60 pagos uma vez. O teste é grátis; a licença é o preço de manter o programa. Baixe direto no site oficial, o reaper.fm.

Nesta primeira aula eu monto o projeto do zero e configuro tudo que você precisa pra começar:

A grande sacada do VS: clique de um lado, banda do outro

Aqui está o coração do VS, e a parte que quase nenhum tutorial explica direito. O público não pode ouvir o clique; os músicos precisam ouvir. Como mandar o clique só pro palco e a banda só pra caixa de som?

A resposta é o pan mais um cabo. No Reaper, cada pista tem um controle de pan — o botão que joga o som pra esquerda ou pra direita. Você manda o clique e a regência (a voz-guia) todo pra um lado, digamos a esquerda, e o resto do playback pro outro.

"Você tem que direcionar a banda para sair de um lado e o clique para sair do outro, porque o clique só vai sair para os músicos."

Na saída do notebook entra o cabo Y: uma ponta P2 estéreo sai do computador e abre em dois P10 mono, um por lado. O lado esquerdo (clique e regência) vai pro retorno dos músicos — fone ou monitor. O lado direito (a banda) vai pra mesa e pro PA. A plateia nunca escuta o clique, e você toca no tempo certo o show inteiro.

O cabo certo é o Y P2 estéreo para dois P10 mono. Não confunda com o P2 mono comum de celular — esse não separa os canais e o truque não funciona. Ele resolve a maior parte das dúvidas de quem monta o primeiro VS.

Tem interface de áudio com duas saídas? Dá pra fazer a mesma separação por ela, mandando o clique por uma saída e a banda pela outra. A interface não é obrigatória pra começar — o cabo Y é mais barato e resolve. Quando quiser mais qualidade e mais controle, é o passo seguinte.

Passo a passo: criar o projeto, importar o playback e fazer a pré-mix

Com a lógica do clique e da banda na cabeça, o resto é montar. Vou na ordem que eu sigo na aula.

Salve o projeto antes de qualquer coisa

Abriu o Reaper, vá em File > Novo projeto e salve na hora, antes de importar nada. Crie uma pasta só pros seus VS, com um nome que te ajude a achar depois — VS Show, Show de Setembro. Marque a opção de criar um subdiretório pro projeto, pra tudo daquele show ficar junto. Parece detalhe, mas é o que te salva quando o show é daqui a uma hora e você precisa do arquivo na mão.

Configure o sample rate e a pasta de mídia

Vá em File > Project Settings. O sample rate é como o computador lê o áudio: MP3 quase sempre está em 44.1 kHz, o padrão do mercado — deixe em 44.1. (Placa profissional vai a 48, mas você não precisa disso agora.) Na aba Media, aponte a pasta dos áudios do projeto e chame de audio files. Se um arquivo some dela, achar de novo no meio do show é dor de cabeça na certa. E o detalhe que derruba gente experiente: pra gravar as configurações, clique em Salvar. Não dá só o OK.

Importe o VS em tracks separadas

O VS que você compra vem quase sempre zipado. Duplo clique pra descompactar, e apague o .zip depois. Pra jogar o playback no Reaper, abra a pasta, selecione todos os arquivos e arraste pra linha do tempo, no ponto zero. Na janela que abre, escolha tracks separadas, uma pista por instrumento. Se você marcar "uma só track", o Reaper empilha as músicas em sequência e toca uma depois da outra — o oposto do que você quer.

Cada pista vira um instrumento: cavaco, baixo, tamborim. Barra de espaço e o VS toca. É a mesma lógica de pistas de quem trabalha com gravação de bateria em casa numa DAW.

A pré-mix: mute o que a banda toca ao vivo

Antes do palco, faça a pré-mix no fone. Todos os instrumentos começam no zero; você sobe e desce cada um até o equilíbrio agradar. A regra que mais importa: mute o que a sua banda toca ao vivo. Tem cavaquinho na banda? Muta o cavaco do playback. Tem baixista? Muta o baixo. O VS entra pra completar o que falta, sem brigar com quem já está no palco.

O roteamento na prática: clique na esquerda, banda na direita

Agora você aplica a grande sacada, pista por pista. Escolha o lado do clique — no meu caso, esquerda — e mande o metrônomo pra lá. A regência, aquela voz que avisa "vai virada" ou "último refrão", também vai pra esquerda: o público não pode ouvir, só os músicos. Todo o resto vai pra direita.

"Se a gente tá fazendo pra esquerda o clique, bota pra direita tudo que não for clique."

Toquei um pagode do Jorge Aragão assim na aula, com o clique isolado no meu ouvido e a banda saindo limpa pro PA. Uma música pronta.

Esse passo a passo, com a tela de cada etapa e a lista do que comprar, está na apostila que eu escrevi. É de graça, sem formulário, e você baixa mais pra frente. Segue comigo, que falta montar o show.

Montando o set: várias músicas, marcadores e regiões

Uma música tocando é só o começo. Um show são dez, quinze músicas em blocos, e você precisa achar cada uma em segundos quando o vocalista muda a ordem no meio do repertório. É o que eu monto na segunda aula:

Organize os canais música a música

Importe a segunda música do mesmo jeito — arrasta, tracks separadas. Aí vem o trabalho: cada instrumento tem que cair no seu canal, começando pelo clique. Dependendo da música, o Reaper joga a regência no canal do repique, o piano no do rebolo, e vira bagunça. Você usa a barra de rolagem, acha cada instrumento e arruma — regência no canal da regência, surdo no do surdo — e cria canal novo pro que faltar (piano, strings, banjo, cuíca). Instrumento parecido divide canal: banjo no do cavaco, por exemplo. Isso se repete em todas as músicas. É a parte chata, e é o que faz o VS ser confiável no palco.

O cuidado que evita o desastre: todas as trilhas começam do zero, na mesma posição.

"As trilhas têm que ficar todas começando do zero, senão vai sair uma do lugar e aí vai ser um Deus nos acuda."

Depois, refaça o pan das pistas novas — o que estiver no centro, joga pro lado certo (piano e strings pra direita, com a banda).

Emende as músicas com cross fade

Pro show não ter buraco entre uma música e outra, encoste uma na outra. Selecione a música inteira: segura Control e rola a roda do mouse pra dar zoom out, depois Shift pra marcar todas as pistas. (Eu gravo no Mac; no Windows alguns atalhos mudam — Command vira Ctrl.) Arraste a segunda música pra encostar no fim da primeira e corte o finalzinho que sobra. Sobrepondo um pouco o fim de uma no começo da outra, o Reaper faz a transição sozinho.

"Você pode até puxar um pouco, ele vai dar o fade automático. Isso aqui é chamado cross fade."

Marcadores e regiões: o controle remoto do show

Agora o mapa do show, com duas ferramentas que trabalham juntas: marcador e região. O marcador marca o início de uma música — cursor no comecinho, Shift + M, digita o nome (Alvará, O Meu Lugar), escolhe a cor, OK. A região marca um bloco de músicas: Shift + R, botão direito, Editar região, dá o nome (Bloco 1).

Pra achar tudo no palco, abra o Region/Marker Manager (no meu Mac é Command + Option + Shift + R; no Windows é outro atalho). O painel lista as regiões (os blocos) ou as marcas (as músicas), e clicar num item pula direto pro ponto. Dá pra fixar o painel na tela e buscar a música pelo nome. Vira o controle remoto do seu show.

Tocando ao vivo: o bloco inteiro ou a música que pedirem

No palco o fluxo fica simples com o set montado. Por padrão, você dispara a região e toca o bloco inteiro, uma música atrás da outra. Aí alguém pede a segunda música do bloco, fora de ordem: você alterna o painel de Regiões pra Marcas, acha a música pelo nome e dispara só ela. Volta pro bloco quando quiser.

Duas regras que eu levo pra todo show. A primeira: marque sempre no comecinho da música.

"Lembra sempre de colocar no iniciozinho da música, pra banda entrar certinho."

A segunda: tenha sempre as duas ferramentas prontas, marca e região. Uma toca o bloco corrido; a outra atende o pedido avulso.

Como o baterista ouve só o clique: in-ear ou monitor compartilhado

Falta responder como o clique chega no seu ouvido sem vazar pro público. Dois caminhos. O melhor é o in-ear: um fone intra-auricular que isola o som de fora e entrega o clique limpo, só pra você — você ouve o metrônomo e a regência com clareza mesmo com o palco alto. É o padrão de quem toca com VS a sério, e eu detalho em monitoração com fones in-ear e em o que o baterista escuta no fone.

O caminho mais simples é um monitor compartilhado ou um fone fechado no retorno, recebendo o lado do clique. Funciona, isola menos. Pra começar, um fone fechado de boa vedação (o tipo de monitoração dos estúdios, um AKG ou um Yamaha) já resolve — o que importa é abafar o som externo pra você não perder o clique no palco.

Os erros que estragam o VS no palco (e como evitar)

Junta os cuidados das duas aulas — os tropeços que aparecem na hora errada:

O fio que costura tudo é o clique. Ele é o chão onde o VS se apoia — se o seu tempo não é firme, nem o melhor VS te salva.

Treinamento · Dominando o Metrônomo

O clique é a base de tudo isso

Se tem uma coisa pra treinar antes do primeiro show com VS, é tocar colado no clique. Montei um treinamento só pra isso, o Dominando o Metrônomo — o click é a base de tudo que você acabou de montar.

Baixe a apostila completa (grátis)

Reuni tudo daqui — o setup, o cabo Y, a estrutura de pistas, os marcadores, as regiões, o in-ear — num manual pra você seguir com o Reaper aberto. Do zero ao palco, com as telas passo a passo. De graça e download direto, sem formulário.

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Manual Completo: Montando seu VS no Reaper

O guia inteiro deste post num PDF pra baixar e seguir com o Reaper aberto na frente: o setup, o cabo Y, a estrutura de pistas, os marcadores, as regiões e a monitoração in-ear. De graça, sem formulário.

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Perguntas frequentes sobre como montar um VS no Reaper

Que cabo eu preciso pra separar o clique da banda?

Um cabo Y P2 estéreo que abre em dois P10 mono. A ponta P2 estéreo sai do notebook e separa os canais: um P10 leva o clique pros músicos, o outro leva a banda pro PA. Não compre o P2 mono comum de celular — ele não divide os canais e o VS não funciona.

Dá pra usar o VS com bateria eletrônica?

Dá. A eletrônica é só o seu instrumento; o VS continua sendo o playback que roda no notebook, com o clique no seu ouvido. Você toca por cima igual tocaria numa acústica. Só cuide da monitoração pra ouvir o clique junto com a eletrônica.

Preciso de interface de áudio pra montar um VS?

Não pra começar. O cabo Y já separa o clique da banda direto da saída do notebook, e é mais barato. A interface entra quando você quer mais qualidade e mais saídas — faz a mesma separação com folga. É passo seguinte, não pré-requisito.

Como eu mudo o tom ou o andamento de uma música ao vivo?

Essa é a vantagem do VS sobre o pen-drive com a música pronta. Como cada instrumento está numa pista do Reaper, você ajusta andamento e tom pela própria DAW antes do show, música por música. Se a vocalista canta meio tom abaixo, prepara a versão certa em casa e leva pronta.

Como o público não escuta o clique?

Pelo pan e pelo cabo Y. Clique e regência todo pra um lado, banda pro outro. O lado do clique vai só pro retorno dos músicos; o da banda vai pra mesa e pro PA. A plateia recebe só a banda — o clique fica no ouvido de quem toca.

Sobre o autor

Maurício Mendes

Baterista profissional e educador musical — 25+ anos de carreira

Baterista há mais de 25 anos, baterista da banda Kiko Chicabana e especialista em ritmos brasileiros (forró, samba, carnaval, vanerão, pisadinha) e em carreira musical. Fundador da Academia do Baterista e criador de conteúdo com mais de 93 mil inscritos no YouTube. Também no Instagram. Conheça mais em Sobre.

Publicado originalmente em academiadobaterista.com